Comissão deve decidir na quinta-feira se o dirigente sindical prestará depoimento sobre o esquema de descontos ilegais a aposentados; STF já bloqueou R$ 390 milhões do Sindnapi
A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga irregularidades no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) vai analisar, na próxima quinta-feira (16), a convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico — irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atual vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos).
Cinco requerimentos pedindo a ida de Frei Chico ao colegiado estão na pauta. O Sindnapi é um dos alvos da operação da Polícia Federal deflagrada na última quinta-feira (9), que apura um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
No mesmo dia da operação, o presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, prestou depoimento à CPMI. Durante a oitiva, respondeu apenas a uma pergunta, negando que Frei Chico tivesse funções administrativas na entidade.
“Ele nunca teve papel administrativo, apenas político, de representação sindical”, afirmou Milton.
Bloqueio de R$ 390 milhões
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de R$ 390 milhões em bens e valores do Sindnapi, montante equivalente aos descontos feitos sem autorização dos segurados.
Na decisão, Mendonça destacou suspeitas consistentes de que dirigentes da entidade integravam uma organização criminosa voltada a fraudar aposentados e pensionistas. O ministro também autorizou a quebra de sigilos fiscal e bancário dos envolvidos desde 2020.
A CPMI deve analisar dezenas de requerimentos antes do depoimento de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor da Confaf (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil), outra entidade investigada no mesmo esquema.
Quem é Frei Chico
José Ferreira da Silva, de 83 anos, é um dos 17 irmãos do presidente Lula. Natural de Pernambuco e residente em São Caetano do Sul (SP), foi figura importante no início da trajetória sindical do atual chefe do Executivo, ainda na década de 1960, quando ambos atuavam no ABC paulista.
O apelido “Frei” foi dado pelo ex-prefeito Maurício Soares, de São Bernardo do Campo, em referência à sua calvície.
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