Impasse sobre horários do curso noturno de Odontologia da Univinte vai parar na Justiça em Capivari de Baixo

Educação

Mudança na distribuição de estágios ao longo da semana mobiliza alunos, famílias e direção da instituição e gera disputa judicial

Um impasse envolvendo a organização dos horários do curso de Odontologia ofertado no período noturno pela Fucap/Univinte, em Capivari de Baixo, deixou de ser tratado apenas na esfera administrativa e passou a tramitar no Judiciário. A situação tem mobilizado alunos, pais e a direção da instituição de ensino superior.

O conflito não está relacionado à obrigatoriedade dos estágios práticos, exigência prevista em lei e inerente à formação na área da saúde, mas à forma como essas atividades passaram a ser distribuídas ao longo da semana acadêmica, alterando a previsibilidade da rotina dos estudantes.

A discussão ganhou maior visibilidade após manifestações públicas nas redes sociais, nas quais alunos marcaram veículos de imprensa da região. No entanto, a judicialização ocorreu antes dessas publicações. Conforme a defesa dos acadêmicos, a ação foi protocolada após tentativas de diálogo administrativo que não resultaram em uma solução considerada viável.

Mudança na organização dos horários

De acordo com quadros de horários de semestres anteriores, o curso identificado como “Noturno” apresentava aulas teóricas concentradas no período da noite, com práticas e estágios realizados em dias específicos da semana. Embora houvesse indicação de atividades em turno diurno em alguns componentes curriculares, a organização permitia, segundo relatos de alunos e familiares, planejamento antecipado e ajustes pontuais com empregadores.

Já no calendário mais recente, especialmente no 9º semestre, a distribuição das atividades práticas e estágios passou a ocupar diversos dias úteis da semana. É essa mudança de modelo — da concentração em dias determinados para a pulverização ao longo da semana — que fundamenta a principal insatisfação apresentada pelos estudantes.

Impacto na conciliação entre trabalho e estudo

Alunos e pais ouvidos pela reportagem preferiram não se identificar. Segundo uma das estudantes, a dificuldade não está na existência de estágios diurnos, mas na alteração do padrão que vinha sendo adotado ao longo do curso.

Ela afirma que turmas anteriores conseguiram concluir a graduação conciliando trabalho e estudo, ainda que com ajustes específicos. Com a nova organização, segundo o relato, a semana passa a ficar comprometida de segunda a sexta-feira, inviabilizando a manutenção de vínculo empregatício. A falta de previsibilidade, segundo os estudantes, afeta diretamente a capacidade de custear mensalidades e despesas pessoais.

A comparação com turmas anteriores é recorrente entre os relatos, levantando questionamentos sobre os motivos da mudança na estrutura justamente neste momento do curso.

Tentativas administrativas e judicialização

Conforme informado pela defesa dos alunos, antes do ingresso da ação judicial houve tentativas de diálogo com a coordenação e com a administração da instituição. Nessas reuniões, teria sido apresentada a dificuldade enfrentada por estudantes que dependem de trabalho regular para permanecer no curso.

Sem consenso, parte dos acadêmicos decidiu recorrer ao Judiciário. O processo segue em tramitação e aguarda manifestação judicial.

Posicionamento da Fucap/Univinte

Em nota oficial e em documentos assinados pelo setor jurídico e pelo presidente da mantenedora, a Fucap/Univinte sustenta que a controvérsia está relacionada à execução do Estágio Curricular Obrigatório, previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Odontologia.

A instituição afirma que as atividades práticas envolvem atendimento clínico supervisionado, exigências rigorosas de biossegurança, controle de materiais e funcionamento das clínicas-escola, o que demanda organização específica de horários. Também ressalta que parte dos estágios depende do funcionamento de Unidades Básicas de Saúde, que atuam predominantemente em período diurno.

A Univinte argumenta ainda que a definição dos horários está amparada pela autonomia universitária prevista na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Segundo a instituição, tanto o projeto pedagógico quanto o contrato educacional preveem a realização de estágios em turno diurno, mesmo em cursos ofertados como noturnos.

Análise jurídica do caso

Especialistas em Direito Educacional destacam que conflitos dessa natureza costumam ser analisados individualmente. Embora a legislação reconheça a autonomia das instituições de ensino superior, também impõe o dever de informação clara e adequada sobre as condições de oferta, princípio presente no Código de Defesa do Consumidor e em normas do Ministério da Educação.

Para o advogado Marcelo Jung, consultor jurídico do Notisul na área de Direito Educacional, nenhum direito é absoluto. Segundo ele, de um lado está a necessidade institucional de organizar os campos de estágio conforme o funcionamento das unidades concedentes; de outro, alunos que teriam estruturado suas vidas pessoais e profissionais com base em práticas adotadas em semestres anteriores.

Ainda conforme o especialista, a análise judicial tende a se concentrar na forma como as condições de oferta foram comunicadas no momento da rematrícula, o que poderá resultar na manutenção ou na revisão das decisões institucionais, conforme o entendimento do Judiciário.

Acompanhamento

A Fucap/Univinte informa que mantém seus canais institucionais abertos para esclarecimentos acadêmicos. Alunos e familiares envolvidos no impasse aguardam a decisão judicial, que deverá definir os próximos desdobramentos para a turma afetada.

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