AMX chega a Pedras Grandes e ganha nova missão como peça histórica e educativa

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Aeronave que integrou a Força Aérea Brasileira por décadas passa a fazer parte do acervo permanente do Parque Casa dos Arcos

O município de Pedras Grandes ganhou neste sábado (5) um novo marco histórico e turístico. O Parque Casa dos Arcos recebeu oficialmente um caça AMX, aeronave que por décadas integrou a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) e que agora passa a fazer parte do acervo de visitação pública do espaço.

A aeronave deve atrair entusiastas da aviação, moradores e turistas da região Sul de Santa Catarina. Além do potencial turístico, a proposta é utilizar o AMX como instrumento de educação e preservação da memória.

Segundo o prefeito Agnaldo Filippi, a chegada da aeronave representa mais do que uma nova atração. O AMX ficará exposto ao lado de outras peças relacionadas à história da aviação, entre elas uma réplica do 14-Bis de Alberto Santos Dumont.

“AMX estará exposto ao lado de outras peças emblemáticas da história da aviação, como uma réplica do histórico 14-Bis de Alberto Santos Dumont, transformando o espaço em um verdadeiro museu a céu aberto que conecta diferentes gerações à evolução tecnológica e à ciência aeronáutica”, destaca o prefeito.

Da Itália ao Brasil

A história do AMX A-1 começou na Itália, no final da década de 1970, quando a Força Aérea Italiana buscava uma nova aeronave de ataque para substituir modelos antigos.

O Brasil entrou oficialmente no programa em 1981, quando os governos brasileiro e italiano estabeleceram requisitos conjuntos para o desenvolvimento da aeronave. A Embraer passou a integrar o consórcio responsável pelo projeto e pela produção do caça.

A participação brasileira foi além da montagem. A empresa assumiu responsabilidades no desenvolvimento e na fabricação de componentes, incluindo estruturas das asas, pilones, sistemas e componentes do trem de pouso.

O primeiro protótipo do AMX realizou seu voo inaugural em 15 de maio de 1984, na Itália. No Brasil, o primeiro protótipo construído pela Embraer, o YA-1 FAB 4200, voou em 16 de outubro de 1985, a partir de São José dos Campos.

Os primeiros exemplares destinados à FAB começaram a ser entregues em 1989. Ao todo, a Força Aérea Brasileira adquiriu 45 aeronaves monoplace e 11 biplaces do programa.

Na FAB, o avião recebeu a designação A-1 e foi projetado para missões de ataque, interdição, apoio aéreo e reconhecimento, além de possuir capacidade de operar à noite e realizar reabastecimento em voo.

A história da aeronave que está em Pedras Grandes

O exemplar que agora está em exposição possui o número de série de fábrica BX-042 e pertenceu à geração inicial dos AMX brasileiros.

Ao longo de sua carreira operacional, a aeronave integrou unidades da Força Aérea Brasileira, entre elas o Esquadrão Adelphi, sediado na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e posteriormente o Esquadrão Poker, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

No Esquadrão Poker, o AMX teve participação importante em missões relacionadas ao reconhecimento tático, utilizando sistemas e equipamentos específicos para obtenção de informações sobre o terreno e atividades de inteligência.

Durante sua vida operacional, a aeronave também participou de exercícios que simulavam situações reais de combate, incluindo operações de ataque ao solo e reconhecimento.

O AMX também possui histórico internacional. Segundo o material histórico, o batismo de fogo da aeronave ocorreu com esquadrões italianos durante a Operação Allied Force, em 1999, quando AMX italianos realizaram 252 missões de combate sobre Kosovo sem a perda de nenhuma aeronave.

De aeronave militar a peça histórica

Depois de aproximadamente três décadas de serviço, o AMX encerrou sua vida operacional. Parte da frota brasileira passou pelo processo de modernização que originou o padrão A-1M, enquanto outros exemplares foram retirados de serviço.

O avião que chegou a Pedras Grandes estava fora de serviço e sem possibilidade de retornar aos céus. Registros públicos do processo de alienação identificam o exemplar como sucata de aeronave indisponível para voo, anteriormente localizada no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo.

Em 5 de setembro de 2026, porém, a aeronave passou a integrar o patrimônio da Prefeitura Municipal de Pedras Grandes e foi destinada à exposição pública permanente no Parque Casa dos Arcos.

A mudança representa uma nova etapa na história do AMX. Se durante sua vida militar sua missão era voar, reconhecer, proteger e cumprir operações estratégicas, agora a aeronave terá uma função diferente: preservar memória e ensinar.

AMX e 14-Bis contam a evolução da aviação

O AMX foi incorporado à seção Aldo Vieira da Rosa, dedicada à história da aviação e às conquistas espaciais.

A presença da aeronave ao lado da réplica do 14-Bis cria uma relação entre diferentes momentos da história da aviação. De um lado, a representação dos primeiros passos de Santos Dumont; de outro, uma aeronave desenvolvida décadas depois a partir da engenharia aeronáutica moderna e da cooperação tecnológica entre Brasil e Itália.

A proposta é transformar o parque em uma espécie de sala de aula a céu aberto, permitindo que estudantes tenham contato com temas como matemática, física, aerodinâmica, engenharia, tecnologia, história, geografia, indústria e inovação.

Ligação entre Brasil e Itália

A chegada do AMX também possui um significado especial para Pedras Grandes. A aeronave nasceu de uma parceria tecnológica entre Brasil e Itália, enquanto a história do município é profundamente marcada pela imigração italiana e pela formação da Colônia Azambuja, a partir de 1877.

Quase 150 anos depois, uma aeronave criada pela cooperação entre os dois países passa a fazer parte da história de uma cidade que também foi construída a partir dessa ligação.

O AMX, que durante décadas esteve nos céus, agora permanece em terra. Não mais para cumprir missões militares, mas para contar histórias, preservar memória e despertar o interesse das novas gerações pela ciência e pela tecnologia.

No Parque Casa dos Arcos, a aeronave passa a integrar um acervo que reúne diferentes capítulos da trajetória humana na busca pelo conhecimento e pelo desejo de voar.

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